terça-feira, maio 25, 2010

MULHERES TROVADORAS

MULHERES TROVADORAS:


TALVEZ SEJA NORMAL MULHERES TOCAREM SERENATAS... AO CONTRÁRIO DO QUE SE POSSA PENSAR... UM PASSADO DE MULHERES TROVADORAS...APONTA O CAMINHO...



"Para um observador menos atento, a paisagem cultural da sociedade medieval européia pode parecer coberta por uma neblina que, perturbada por infinitas guerras, heresias e a inquisição, desvenda um mundo estritamente masculino. Mas existe um outro lado deste universo, um lado matriarcal, evidenciado pelas muitas faces da mulher medieval. Numa procura por esse mundo perdido, por essas mulheres há muito esquecidas, encontramos na literatura medieval registros dessas poderosas mulheres que muito contribuíram para essa vasta cultura. "

"O início da Idade Média foi um período de relativo poder e liberdade para as mulheres. Após a queda do Império Romano algumas mudanças no comportamento dos grupos sociais aconteceram. As mulheres, objeto desta investigação, passaram a ter menos isolamento do que as romanas e as gregas, tornando-se mais participantes na sociedade do que em séculos anteriores. Em geral, as mulheres teciam, fiavam, cuidavam dos animais e da horta enquanto os homens faziam o trabalho agrícola mais pesado e as guerras. Assim, a importância do papel econômico das mulheres expandia-se ou contraía-se, de acordo com a presença ou não dos homens. Tornando-se, pois, uma significativa força reserva de trabalho, passaram a receber, muitas vezes, melhor educação que seus companheiros. A partir do século X, muitos feudos da frança eram administrados por mulheres, como os de Boulogne e Calais (ao Norte), e os de Toulouse, Carcassonne, Nîmes e Montpellier (ao Sul). "

"A partir do século XIII, entretanto, a autonomia e o poder das mulheres começou a declinar por toda a Europa. Após a morte de Filipe, o Belo, em 1314, os barões franceses declararam que uma antiga lei (Frankish Salic) impedia qualquer herança de reinos através de mulheres, uma proclamação que logo se tornou convenção. Por volta do fim do século XIV, início da Renascença, o poder político-econômico das mulheres havia deteriorado significativamente, iniciando-se assim um período de liberdade e brilho para os homens. "

"Trouvère (originário da palavra trouver: procurar ou inventar) é um termo geralmente usado para descrever o poeta ou músico do Norte da França nos séculos XII e XIII, denominação utilizada tanto para o homem quanto para a mulher. A língua poética era o langue d'oil (conhecida como francês antigo). Já ao Sul, suas companheiras desta arte de escrever canções e poemas, as trobairitz (feminino de Troubadour), compunham em langue d'oc. "

"As senhoras da alta estirpe tinham um elevado nível cultural, apesar de não terem uma educação formal. Seu treinamento era provavelmente obtido a partir de um período como aprendiz na casa de outra senhora, talvez de sua própria mãe ou da futura sogra. A capacidade de administrar suas vastas propriedades era sem dúvida o mais importante atributo a ser conquistado, mas seu treinamento incluía boas maneiras, aprendizado de jogos de corte, como o xadrez, conhecimento de falcoaria, alguma habilidade para ler e escrever, e música: canto e o aprendizado de algum instrumento. "

"As aristocratas não eram as únicas musicistas da Europa medieval. Mulheres de classes sociais mais baixas também eram musicalmente ativas: as trovadoras itinerantes e as servas e cortesãs, estas últimas muito mais presentes na Espanha mourisca. Desde o século VIII os conquistadores árabes transformavam mulheres de diferentes raças e classes sociais em escravas. Muitas delas eram treinadas como cantoras e instrumentistas em escolas de música para suprir os haréns da nobreza, não apenas com beleza mas também com talentos musicais. Algumas eram vendidas para a nobreza árabe na Espanha."


"...conhecer e mostrar um pouco do passado literário-musical feminino, na França medieval, através das obras da Condessa Beatriz de Dia, Maroie de Dregnau de Lille, Dame du Fayel e Blanche de Castille, incluindo também danças instrumentais francesas e italianas, de autores anônimos."

"Apenas uma Canção de Trobairitz sobreviveu com letra e música até os dias de hoje: A chantar m’er de so que no volria, da condessa Beatriz de Dia. Beatriz (séc. XII) era, sem dúvida, de Dia, cidade ao norte de Montelimar. Foi casada com Guilhem de Potiers e, suspeita-se, amante de Raimbaut d’Orange, irmão da poetisa Dame Tibors, ambos pertencentes a uma importante família de trovadores. O poema A chantar m’er de so que no volria sobreviveu em diversos manuscritos mas, a música, somente no "Manuscrit du Roi". Outros poemas desta misteriosa Condessa sobreviveram, mas nenhum com música. A Condessa Beatriz de Dia soube, com grande propriedade, narrar e cantar os prazeres do amor carnal. "

"Blanche de Castille (sec. XIII) era neta de Eleonora de Aquitânia e filha de Marie de Champagne e do Conde Tibau de Champagne, famoso trouvère, que escreveu muitas de suas canções para Blanche, sua rainha e objeto da sua admiração e amor. Como exemplo de composição de Blanche de Castille temos a canção Amours u trop tars me sui pris, uma canção em devoção a Virgem Maria. "

"Maroie de Dregnau de Lille (séc. XII) é uma trovadora de origem desconhecida. Sua peça, Mout m’abelist quant je voi revenir, pertencente ao movimento dos trouvères e considerada mais tardia que outras do gênero, se encontra no "Manuscrit du Roi". É uma canção de mulher (chanson de jeune fille) de estilo elegante, preservada com apenas um verso. Temos pouca evidência da existência desta poetisa, que é provavelmente a "Maroie" citada nos versos de uma canção do trovador Artois Andrieu Contredit. "

"Em um manuscrito que se encontra na Biblioteca Pública de Berna a famosa canção de cruzada, Chanterai por mon coraige é atribuída a Dame de Fayel, que era amante do famoso trouvère Châtelain de Couci. Porém, a mesma canção é atribuída a Guiot de Dijon no "Manuscrit du Roi" e em outras fontes. Escrita do ponto de vista de uma mulher, este texto poderoso canta a ausência do amante que está em uma Cruzada na Palestina. "




"A chantar m'er de co qu'eu no volria,
Tant me rancur de lui cui sui amia
Car eu l'am mais que nulha ren que sia:
Vas lui no-m val Merces ni Cortezia
Ni ma beltatz ni mos pretz ni mos sens:

Qu'atressi-m sui enganad' e trahia
Com degr' esser, s'eu fos desavinens.

D'aissò-m conòrt, car anc non fi falhensa,
Amics, vas vos per nulha captenensa;
Ans vos am mais non fetz Seguìs Valensa,

E platz mi mout que eu d'amar vos vensa;
Lo meus amics, car ètz lo plus valens;
Mi faitz orgòlh en ditz et en parvensa
E si ètz francs vas totas autras gens.

Meravelh me com vòstre còrs s'orgòlha,
Amics, vas me, per qu'ai razon que-m dòlha;
Non es ges dreitz qu'autr'amors vos mi tòlha,
Per nulha ren que-us diga ni acòlha.
E membre vos quals fo-l comensamens
De nòstr'amor! Ja Dòmnedeus non vòlha,
Qu'en ma colpa sia-l departimens.

Proeza grans, qu'el vòstre còrs s'aizina
E lo rics prètz qu'avètz m'en ataïma;
Qu'una non sai, lonhdana ni vezina,
Si vòl amar, vas vos no si' aclina;

Mas vos, amics, ètz ben tant conoissens
Que ben devètz conòisser la plus fina:
E membre vos de nòstre covinens.

Valer mi deu mos prètz e mos paratges
E ma beutatz, e plus mos fins coratges;

Per qu'eu vos man, lai on es vòstr'estatges,
Esta chanson, que me sia messatges,
E vòlh saber, lo meus bèls amics gens,
Per que vos m'ètz tant fèrs ni tant salvatges;
No sai si s'es orgòlhs o mals talents.

Mas aitan plus vòlh li digas, messatges
Qu'en tròp d'orgòlh an gran dan maintas gens. "




PROCURAR POR: MUSICA ANTIGA UFF

IN: http://musicaantigadauff.zip.net/



VER TAMBÉM:

http://en.wikipedia.org/wiki/Trobairitz



http://www.amulhernaliteratura.ufsc.br/artigos/neotrovadoras.html

POR CURIOSIDADE VER:

http://www.seer.ufrgs.br/index.php/aedos/article/view/9869/5732




carmina burana

"textos poéticos contidos em um importante manuscrito do século XIII, o Codex Latinus Monacensis, encontrados durante a secularização de 1803, no convento de Benediktbeuern - a antiga Bura Sancti Benedicti, fundada por volta de 740 por São Bonifácio, nas proximidades de Bad Tölz, na Alta Baviera. O códex compreende 315 composições poéticas, em 112 folhas de pergaminho, decoradas com miniaturas. Atualmente o manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional de Munique.

Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e militares de Munique, teve acesso a esse códex de poesia medieval e arranjou alguns dos poemas em canções seculares para solistas e coro, "acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.


O códice encontrado em Benediktbeuern continha poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, quase todos escritos em latim medieval, exceto 47 versos, escritos em médio-alto alemão vernacular e vestígios de frâncico. Um estudioso de dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847, dando-lhe o título de “Carmina Burana”, que, em latim, significa “Canções de Benediktbeuern”.

Acredita-se que todos os poemas fossem destinados ao canto mas os copistas responsáveis pelo manuscrito, nele não indicaram a música de todos os carmes, de modo que só foi possível reconstruir o andamento melódico de 47 deles. O códex é subdividido em seis partes:

-Carmina moralia et satirica (1-55), de caráter satírico e moral;
-Carmina veris et amoris (56-186), cantos primaveris e de amor;
-Carmina lusorum et potatorum (187-228), cantos orgiásticos e festivos;
-Carmina divina, de conteúdo moralístico-sacro (parte que provavelmente foi adicionada já no início do século XIV).
-Ludi, jogos religiosos.

in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmina_Burana



Goliardo

Goliardos, na Idade Média eram clérigos pobres, egressos das universidades. Desamparados pela Igreja, tornavam-se itinerantes (clerici vagantes), vagabundos, de espírito transgressivo e provocador. Em meados do século XIII, perambulavam pelas tavernas, portas das universidades e outros lugares públicos, cantando e declamando seus poemas satíricos, um tanto cínicos, muitas vezes denunciando os abusos e a corrupção da própria Igreja, ou poemas eróticos, freqüentemente muito ousados.

A poesia dos goliardos era uma natural expressão do espírito das tabernas e confrarias.

in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Goliardo





O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana


Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi

Em latim /Em português
O Fortuna,/ Ó Fortuna,
Velut Luna /És como a Lua
Statu variabilis,/ Mutável,
Semper crescis /Sempre aumentas
Aut decrescis; /Ou diminuis;
Vita detestabilis/ A detestável vida
Nunc obdurat /Ora oprime
Et tunc curat /E ora cura
Ludo mentis aciem, /Para brincar com a mente;
Egestatem, /Miséria,
Potestatem /Poder,
Dissolvit ut glaciem. /Ela os funde como gelo.

Sors immanis/ Sorte imensa
Et inanis, /E vazia,
Rota tu volubilis Tu,/ roda volúvel
Status malus, /És má,
Vana salus/ Vã é a felicidade
Semper dissolubilis, /Sempre dissolúvel,
Obumbrata/ Nebulosa
Et velata/ E velada
Michi quoque niteris;/ Também a mim contagias;
Nunc per ludum /Agora por brincadeira
Dorsum nudum/ O dorso nu
Fero tui sceleris. /Entrego à tua perversidade.

Sors salutis /A sorte na saúde
Et virtutis /E virtude
Michi nunc contraria/ Agora me é contrária.
Est affectus /Dá
Et defectus/ E tira
Semper in angaria. /Mantendo sempre escravizado
Hac in hora /Nesta hora
Sine mora/ Sem demora
Corde pulsum tangite; /Tange a corda vibrante;
Quod per sortem /Porque a sorte
Sternit fortem,/ Abate o forte,
Mecum omnes plangite! /Chorai todos comigo






CONSULTAR:
http://www1.ci.uc.pt/eclassicos/bd_pdfs/26/5-Nunc_est_bibendum.pdf



por curiosidade:

http://bachiana.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=92&Itemid=36/



http://pt.wikipedia.org/wiki/Tuna

Há quem ligue a origem das tunas, ao Rei de Thunes, aos goliardos, aos Sopistas...

consultar: http://www.estatuna.ipt.pt/default.asp?n=30&s=1&t=1

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3836.pdf


http://www.gestioncultural.org/gc/boletin/pdf/Arqueoturismo/SPonte.pdf


http://194.65.130.238/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/8_1/4/17.pdf










segunda-feira, maio 24, 2010

EM ROMA SÊ ROMANO...








Caracóis engordados em leite

1. Limpar bem os caracóis, retirando-lhes a película da casca, para lhes facilitar a saída.
2. Colocá-los então num recipiente com leite e sal durante um dia, e apenas com leite nos dias seguintes, tendo o cuidado de ir limpando os excrementos de hora a hora.
3. Quando os caracóis estiverem já bastante gordos, de modo a não conseguirem entrar na concha, cozem-se em água ou fritam-se em azeite, acrescentando-lhe «garum» com vinho.
N.B. – Também se podem engordar em pasta de farinha.

Nas receitas de Apicius, aparece com muita frequência o «garum», hoje inexistente. Vamos ver do que se trata, com a ajuda das autoras da tradução espanhola do livro «De Re Coquinaria», que na introdução de «La Cocina en la Antígua Roma» se lhe referem.
O garum era um líquido que se obtinha de diversos peixes azuis com sal e ervas aromáticas. Assim: num barril com capacidade de cerca de 30 l colocava-se primeiro uma camada de ervas (anis, funcho, arruda, hortelã, alfavaca, tomilho, etc.); depois, por cima desta, colocava-se outra camada de pedaços de peixe (salmão, enguias, sardas, sardinhas, etc.); por fim, cobria-se esta última camada com uma camada de sal.
A operação (ervas, peixe, sal) repetia-se até encher a vasilha. Então, deixava-se repousar durante sete dias. Passado este repouso, revolvia-se tudo periodicamente, durante vinte dias. Dava-se o nome de «garum» ao líquido resultante deste processo, e que tinha larga utilização em culinária.
O principal centro produtor de «garum» no Império Romano situava-se em Cartagena, no sul de Espanha.”

(texto retirado do livro «Receitas afrodisíacas & Desenhos eróticos)



Frango Apicius
Num almofariz esmague seis grãos de pimenta vermelha,
uma colher de café de cominhos, outra de erva doce,
umas folhas de hortelã, uma pitada de tomilho
e outra de alecrim.
Num tacho misture um decilitro de vinho branco,
um decilitro de caldo de aves,
três colheres de vinagre.
Leve a ferver e acrescente um punhado de cenoura ralada,
três colheres de mel
e quatro tâmaras descaroçadas e picadas.
Aloure o frango e depois leve-o a estufar naquele molho
num tacho bem tapado, se possível ao forno.





"Marco Gávio Apício (ou simplemente Apício; em latim Marcus Gavius Apicius ) foi um gastrônomo romano do século I d.C. suposto escritor do livro De re coquinaria, a melhor fonte para se conhecer a gastronomia do mundo romano"

IN http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_G%C3%A1vio_Ap%C3%ADcio