terça-feira, maio 25, 2010




carmina burana

"textos poéticos contidos em um importante manuscrito do século XIII, o Codex Latinus Monacensis, encontrados durante a secularização de 1803, no convento de Benediktbeuern - a antiga Bura Sancti Benedicti, fundada por volta de 740 por São Bonifácio, nas proximidades de Bad Tölz, na Alta Baviera. O códex compreende 315 composições poéticas, em 112 folhas de pergaminho, decoradas com miniaturas. Atualmente o manuscrito encontra-se na Biblioteca Nacional de Munique.

Carl Orff, descendente de uma antiga família de eruditos e militares de Munique, teve acesso a esse códex de poesia medieval e arranjou alguns dos poemas em canções seculares para solistas e coro, "acompanhados de instrumentos e imagens mágicas”.


O códice encontrado em Benediktbeuern continha poemas dos monges e eruditos errantes — os goliardos —, quase todos escritos em latim medieval, exceto 47 versos, escritos em médio-alto alemão vernacular e vestígios de frâncico. Um estudioso de dialetos, Johann Andreas Schmeller, publicou a coleção em 1847, dando-lhe o título de “Carmina Burana”, que, em latim, significa “Canções de Benediktbeuern”.

Acredita-se que todos os poemas fossem destinados ao canto mas os copistas responsáveis pelo manuscrito, nele não indicaram a música de todos os carmes, de modo que só foi possível reconstruir o andamento melódico de 47 deles. O códex é subdividido em seis partes:

-Carmina moralia et satirica (1-55), de caráter satírico e moral;
-Carmina veris et amoris (56-186), cantos primaveris e de amor;
-Carmina lusorum et potatorum (187-228), cantos orgiásticos e festivos;
-Carmina divina, de conteúdo moralístico-sacro (parte que provavelmente foi adicionada já no início do século XIV).
-Ludi, jogos religiosos.

in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Carmina_Burana



Goliardo

Goliardos, na Idade Média eram clérigos pobres, egressos das universidades. Desamparados pela Igreja, tornavam-se itinerantes (clerici vagantes), vagabundos, de espírito transgressivo e provocador. Em meados do século XIII, perambulavam pelas tavernas, portas das universidades e outros lugares públicos, cantando e declamando seus poemas satíricos, um tanto cínicos, muitas vezes denunciando os abusos e a corrupção da própria Igreja, ou poemas eróticos, freqüentemente muito ousados.

A poesia dos goliardos era uma natural expressão do espírito das tabernas e confrarias.

in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Goliardo





O compositor alemão Carl Orff musicou alguns dos Carmina Burana


Carmina Burana - O Fortuna, Imperatrix Mundi

Em latim /Em português
O Fortuna,/ Ó Fortuna,
Velut Luna /És como a Lua
Statu variabilis,/ Mutável,
Semper crescis /Sempre aumentas
Aut decrescis; /Ou diminuis;
Vita detestabilis/ A detestável vida
Nunc obdurat /Ora oprime
Et tunc curat /E ora cura
Ludo mentis aciem, /Para brincar com a mente;
Egestatem, /Miséria,
Potestatem /Poder,
Dissolvit ut glaciem. /Ela os funde como gelo.

Sors immanis/ Sorte imensa
Et inanis, /E vazia,
Rota tu volubilis Tu,/ roda volúvel
Status malus, /És má,
Vana salus/ Vã é a felicidade
Semper dissolubilis, /Sempre dissolúvel,
Obumbrata/ Nebulosa
Et velata/ E velada
Michi quoque niteris;/ Também a mim contagias;
Nunc per ludum /Agora por brincadeira
Dorsum nudum/ O dorso nu
Fero tui sceleris. /Entrego à tua perversidade.

Sors salutis /A sorte na saúde
Et virtutis /E virtude
Michi nunc contraria/ Agora me é contrária.
Est affectus /Dá
Et defectus/ E tira
Semper in angaria. /Mantendo sempre escravizado
Hac in hora /Nesta hora
Sine mora/ Sem demora
Corde pulsum tangite; /Tange a corda vibrante;
Quod per sortem /Porque a sorte
Sternit fortem,/ Abate o forte,
Mecum omnes plangite! /Chorai todos comigo






CONSULTAR:
http://www1.ci.uc.pt/eclassicos/bd_pdfs/26/5-Nunc_est_bibendum.pdf



por curiosidade:

http://bachiana.com.br/site/index.php?option=com_content&task=view&id=92&Itemid=36/



http://pt.wikipedia.org/wiki/Tuna

Há quem ligue a origem das tunas, ao Rei de Thunes, aos goliardos, aos Sopistas...

consultar: http://www.estatuna.ipt.pt/default.asp?n=30&s=1&t=1

http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3836.pdf


http://www.gestioncultural.org/gc/boletin/pdf/Arqueoturismo/SPonte.pdf


http://194.65.130.238/media/uploads/revistaportuguesadearqueologia/8_1/4/17.pdf










segunda-feira, maio 24, 2010

EM ROMA SÊ ROMANO...








Caracóis engordados em leite

1. Limpar bem os caracóis, retirando-lhes a película da casca, para lhes facilitar a saída.
2. Colocá-los então num recipiente com leite e sal durante um dia, e apenas com leite nos dias seguintes, tendo o cuidado de ir limpando os excrementos de hora a hora.
3. Quando os caracóis estiverem já bastante gordos, de modo a não conseguirem entrar na concha, cozem-se em água ou fritam-se em azeite, acrescentando-lhe «garum» com vinho.
N.B. – Também se podem engordar em pasta de farinha.

Nas receitas de Apicius, aparece com muita frequência o «garum», hoje inexistente. Vamos ver do que se trata, com a ajuda das autoras da tradução espanhola do livro «De Re Coquinaria», que na introdução de «La Cocina en la Antígua Roma» se lhe referem.
O garum era um líquido que se obtinha de diversos peixes azuis com sal e ervas aromáticas. Assim: num barril com capacidade de cerca de 30 l colocava-se primeiro uma camada de ervas (anis, funcho, arruda, hortelã, alfavaca, tomilho, etc.); depois, por cima desta, colocava-se outra camada de pedaços de peixe (salmão, enguias, sardas, sardinhas, etc.); por fim, cobria-se esta última camada com uma camada de sal.
A operação (ervas, peixe, sal) repetia-se até encher a vasilha. Então, deixava-se repousar durante sete dias. Passado este repouso, revolvia-se tudo periodicamente, durante vinte dias. Dava-se o nome de «garum» ao líquido resultante deste processo, e que tinha larga utilização em culinária.
O principal centro produtor de «garum» no Império Romano situava-se em Cartagena, no sul de Espanha.”

(texto retirado do livro «Receitas afrodisíacas & Desenhos eróticos)



Frango Apicius
Num almofariz esmague seis grãos de pimenta vermelha,
uma colher de café de cominhos, outra de erva doce,
umas folhas de hortelã, uma pitada de tomilho
e outra de alecrim.
Num tacho misture um decilitro de vinho branco,
um decilitro de caldo de aves,
três colheres de vinagre.
Leve a ferver e acrescente um punhado de cenoura ralada,
três colheres de mel
e quatro tâmaras descaroçadas e picadas.
Aloure o frango e depois leve-o a estufar naquele molho
num tacho bem tapado, se possível ao forno.





"Marco Gávio Apício (ou simplemente Apício; em latim Marcus Gavius Apicius ) foi um gastrônomo romano do século I d.C. suposto escritor do livro De re coquinaria, a melhor fonte para se conhecer a gastronomia do mundo romano"

IN http://pt.wikipedia.org/wiki/Marco_G%C3%A1vio_Ap%C3%ADcio